Manifesto
em Defesa da Solução Pacífica
Na Corte Penal Internacional
Nós, cidadãos brasileiros, jovens e adultos, mulheres
e homens, estudantes e trabalhadores, de distintas etnias e raças, que
defendemos soluções pacíficas para os conflitos internacionais,
de toda ordem, consideramos criminosas, descabidas e inumanas, por todos os
aspectos, as agressões perpetradas por grupos e indivíduos anônimos,
contra os cidadãos norte-americanos das cidades de Nova York, Washington
e outras que sofreram em menor grau as conseqüências do seqüestro
e do trágico fim dos civis transportados nas aeronaves norte-americanas.
Nós brasileiros que defendemos os direitos fundamentais da pessoa humana
manifestamos nossa solidariedade para com as famílias de todas as vítimas
da tragédia de 11 de setembro, civis e militares norte-americanos ou
de qualquer outra nacionalidade.
Nós que defendemos indistintamente a integridade da pessoa humana proclamamos
a urgência da defesa de todos os princípios democráticos,
afirmados universalmente, que orientaram as nações que se reconstruíram
após o fim da Segunda Guerra Mundial e que emergiram dos escombros dos
ataques nazistas e fascistas.
Nós brasileiros, que vivemos à distância as atrocidades
de uma guerra mundial, que condenamos em uníssono a dominação
colonial do pós-guerra, que homenageamos, enquanto sociedade civil e
governos, o surgimento das novas nações no Hemisfério Sul
do Planeta, não aceitamos a inevitabilidade de uma guerra, por mais regionalizada
que seja concebida, por tratar-se de agressão à uma nação,
inocente por natureza e história, como são todas as nações
soberanas que integram a Organização das Nações
Unidas.
Nós que acompanhamos e reconhecemos o valor das ações do
governo brasileiro, de solidariedade para com o povo do Timor Leste, quando
seu povo viveu riscos de extermínio e, antes, para com o povo de Moçambique,
quando seu povo viveu uma das maiores calamidades climáticas do século,
permanecemos solidários para com os povos mais distantes ou mais próximos,
da África e da Ásia e do Oriente Médio.
Nós que assistimos ao reconhecimento oficial do governo brasileiro, neste
final de século, de todos os povos indígenas que ocupam suas legítimas
terras no interior das fronteiras da nossa sociedade temos a convicção
que o primado da democracia prevalece sobre o obscuro e abstrato da segurança
continental.
Nós que temos a convicção de que a sabedoria humana não
tem como fundamento o poder bélico militar, que é antes a sua
negação.
Nós brasileiros, tornamos pública a nossa insegurança perante
as manifestações do governo dos Estados Unidos da América,
que se apresenta, à toda a Humanidade, como articulador e idealizador
de uma nova conflagração mundial; nós defendemos o encaminhamento
do debate político voltado à superação do estado
de agressão vivido pelo povo norte-americano e por seu governo, para
o terreno pacífico das formulações políticas e diplomáticas
no âmbito da Corte Penal Internacional.
A Corte Penal Internacional (Tribunal Penal Internacional), que investiga e
leva a julgamento indivíduos responsáveis por violações,
as mais graves, à integridade humana e aos direitos internacionais humanitários
é, por essa razão, o fórum internacional que distingue
crimes de estado e crimes individuais, protegendo o primeiro das práticas
agressoras contra nações e povos, possivelmente perpetrada por
alguns de seus cidadãos.
Será na Corte Penal Internacional que se farão legítimas
as restrições e punições a pessoas, grupos e organizações
individualizadas que tenham sido identificadas e qualificadas como autores comprovados
da tragédia de 11 de setembro de 2001, que agrediu as bases culturais
da sociedade norte-americana, destruindo vidas e bens nas cidades de Nova York
e Washington, principalmente.
As razões imediatas que nos levam a subscrever o presente Manifesto fundam-se
no imperativo inscrito nos princípios de Paz Mundial, da democracia e
do princípio da soberania de todas as nações para a construção
de sua própria história.
Convencidos do inabalável valor que a Paz Mundial guarda, no interior
da Constituição Brasileira e na cultura viva de todos os indivíduos,
grupos, etnias e organizações, cuja luta maior é a realização
democrática de seus ideais e projetos, no universo da cooperação
pacífica conclamamos a todos os integrantes de nossa sociedade e governo,
indistintamente para subscreverem o presente Manifesto e orientarem suas manifestações
públicas e ações locais, individuais e institucionais na
defesa de soluções pacíficas no interior da Corte Penal
Internacional
Brasil, em 20 de setembro de 2001
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